Entrevistas do Cine Resenhas

Entrevista com Valérie Donzelli, diretora de “Mãos à Obra”

O que acontece quando o bloqueio criativo de um artista colide frontalmente com a dura realidade econômica e a precarização do trabalho no mundo contemporâneo? Essa é a provocação central de “Mãos à Obra”, novo filme da diretora e roteirista francesa Valérie Donzelli, muito conhecida em nosso território por “A Guerra Está Declarada!”.

A partir de sua vinda ao Brasil a convite do Festival de Cinema Francês do Brasil 2025, Valérie concedeu entrevista para o Cine Resenhas para falar sobre a sua premiada adaptação do livro homônimo de Frank Courtès, laureado como Melhor Roteiro no último Festival de Veneza.

Na conversa, ela revela como sua própria crise pessoal a conectou profundamente com a história do protagonista, discute os dilemas éticos de usar a intimidade como matéria-prima para a ficção e compartilha seu carinho por Caetano Veloso e “Baby”, de Marcelo Caetano.

“Mãos à Obra” tem distribuição assegurada nos cinemas pela Bonfilm. Ainda não há previsão de lançamento.

Entrevistas do Cine Resenhas

Entrevista com Fabio Porchat sobre o Especial de Natal “Stand Up e Anda”, do Porta dos Fundos

O coletivo Porta dos Fundos já estava há algum tempo sem lançar um novo Especial de Natal. Alvo de muitas controvérsias em seus primeiros lançamentos, os especiais foram se tornando mais palatáveis para os cristãos curiosos, sobretudo porque os títulos mais recentes “Te Prego Lá Fora” e “O Espírito do Natal” pareciam muito mais interessados em testar técnicas ou gêneros (como a animação e o slasher) do que ser aquilo que críticos mais radicais categorizaram como blasfêmias.

“Stand Up e Anda”, o mais recente Especial de Natal, está pronto desde 2023. Após algumas discussões internas, o Porta dos Fundos definiu que o YouTube seria a melhor casa para o produto, que traz Fabio Porchat como o protagonista absoluto Jafé Julião, um comediante de 30 d.C. que prepara um show de stand up em uma praça pública.

Em sua quarta entrevista para o Cine Resenhas, Fabio Porchat comenta conosco sobre o desafio de adaptações de formatos, qual a interpretação que dá para a Bíblia Sagrada e até compartilha as suas primeiras impressões sobre as filmagens da cinebiografia de Bolsonaro, “Dark Horse”, protagonizada por Jim Caviezel.

Além da entrevista em texto na íntegra a seguir, você também pode acessar um trecho dela em vídeo e o próprio Especial de Natal (basta acessar a plataforma e confirmar a sua maioridade).

Eventos Agendados

Mostra Todd Haynes

CCBB SP | 21/01/26 a 12/02/26

Retrospectiva do celebrado cineasta norte-americano, premiado em festivais como Sundance, Berlim, Veneza e Cannes, e indicado ao Oscar pelo roteiro de Longe do Paraíso (2002).

Festival de Berlim

12 a 22 de fevereiro

O prestigiado evento cinematográfico, que celebra a produção mundial com foco no Urso de Ouro, contará com diversas mostras, incluindo Generation e Panorama, exibindo filmes de renome e novos talentos.

Mostra Davids

Cinesystem Frei Caneca | De 15 a 21.01, David Bowie; e de 22 a 28.01, David Lynch

O Belas Artes Frei Caneca celebra o legado de dois artistas icônicos em janeiro: David Bowie e David Lynch – que nasceram e morreram em janeiro – com uma mostra especial dividida em dois ciclos. De 15 a 21.01, David Bowie; e de 22 a 28.01, David Lynch. Os ingressos já estão à venda.

Destaques em cartaz

Josh Safdie

Marty Supreme

Kaouther Ben Hania

A Voz de Hind Rajab

Christophe Gans

Terror em Silent Hill: Regresso ao Inferno

Arquivos Nicole Kidman

ARQUIVOS NICOLE KIDMAN | Ep #65 | GRACE DE MÔNACO | feat. Chovendo Sapos

No episódio #65 do Arquivos Nicole Kidman, o Cine Resenhas e o Chovendo Sapos (canal e site de Wanderley Teixeira) comentam sobre “Grace de Mônaco”, filme que faz um recorte específico da vida de Grace Kelly, da sua transição de atriz hollywoodiana oscarizada para a vida política como a esposa do príncipe Príncipe Rainier III (interpretado por Tim Roth).

Considerado por muitos como o pior filme de Nicole Kidman, “Grace de Mônaco” atravessou vários revesses antes mesmo de ser escolhido como o filme de abertura do Festival de Cannes de 2014, o que incluiu um embate muito coberto pela imprensa entre o diretor francês Olivier Dahan e o produtor americano Harvey Weinstein, que detinha poder de corte na distribuição americana – nos Estados Unidos, o projeto acabou se transformando em telefilme da Lifetime com muitas passagens suprimidas.

Passada uma década, será que “Grace de Mônaco” conseguiu sobreviver? Essa questão é a principal pauta deste episódio.

ARQUIVOS NICOLE KIDMAN | Ep #64 | O MESTRE DOS GÊNIOS | feat. Chovendo Sapos

No episódio #64 do Arquivos Nicole Kidman, o Cine Resenhas e o Chovendo Sapos (canal e site de Wanderley Teixeira) comentam “O Mestre dos Gênios”, cinebiografia dirigida por Michael Grandage. No longa, Nicole Kidman interpreta Aline Bernstein, em um elenco que também reúne Colin Firth e Jude Law.

O vídeo destaca o papel de Nicole na trama e a importância de sua parceria criativa com Grandage, que se estendeu além do cinema: no mesmo período, atriz e diretor trabalharam juntos na aclamada montagem teatral “Photograph 51”, em Londres.

ARQUIVOS NICOLE KIDMAN | Ep #63 | A INTÉRPRETE | feat. Chovendo Sapos

No episódio #63 do Arquivos Nicole Kidman, o Cine Resenhas e o Chovendo Sapos (canal e site de Wanderley Teixeira) comentam o suspense político “A Intérprete”, lançado em 2005 e estrelado por Nicole Kidman e Sean Penn, sob a direção de Sydney Pollack. Desta vez, surge uma rara divergência de entusiasmos entre nós: enquanto um de nós vê valor na condução elegante e no desempenho contido de Kidman, o outro questiona o alcance dramático e o impacto real da narrativa.

O filme tem o mérito histórico de ser o primeiro a obter permissão para filmagens dentro da sede das Nações Unidas, algo que lhe confere um ar de autenticidade institucional. No entanto, passadas duas décadas, “A Intérprete” pode soar um tanto ingênuo em sua leitura geopolítica, especialmente frente ao cenário atual, muito mais complexo e cínico. Ainda assim, o longa permanece como um registro curioso de uma era mais otimista — e talvez mais crédula — quanto ao poder das palavras e das instituições internacionais.